Débora Duboc protagoniza comédia de Dario Fo e Franca Rame, com direção de Neyde Veneziano

Espetáculo estreou em 13/02/09 no Centro Cultural Banco do Brasil e por conta do sucesso de crítica e público foi  patrocinado pela Pirelli, nas comemorações de seus 80 anos de Brasil, para nova temporada no Teatro Bibi Ferreira – 31/07 a 04/10/09.

A peça do Prêmio Nobel é montada pela primeira vez no Brasil; nela, Débora Duboc faz Julia que contracena com a tecnologia e reflete sobre a condição da mulher contemporânea

No espetáculo, a premiada atriz vive situações divertidas enquanto contracena com Fernando Fecchio e Thiago Adorno e um elenco virtual – Claudia Mello, Grace Gianoukas, Eliana Rocha, Elias Andreato, Leonardo Medeiros, Marcelo Médici, Marco Luque, Marcio Seixas e Viviane Pasmanter

Durante quase 20 anos, “Um dia (quase) igual aos outros” fez sucesso entre os europeus. Pela primeira vez, a peça escrita em 1986 por Dario Fo, 83, e sua mulher Franca Rame, 80, é montada no Brasil. Dirigida e traduzida por Neyde Veneziano, especialista na obra do dramaturgo italiano, a peça ganha os palcos brasileiros interpretada por Débora Duboc, que vive Julia, a empresária bem sucedida, mas sozinha.

Estressada por conta de uma crise afetiva, a publicitária Júlia, produtora de comerciais, resolve gravar um DVD para deixar ao marido, antes de se matar.  Empenhada nessa tarefa, vive aventuras hilariantes enquanto é interrompida por divertidas situações corriqueiras na sala de sua casa – totalmente automatizada. Assinante da hipotética revista Saúde Mental, que publicou matéria e inseriu por engano seu telefone como sendo da psicanalista autora do artigo, a personagem é atormentada por telefonemas a todo momento. 

Este é o mote da inteligente comédia Um Dia (Quase) Igual Aos Outros, do italiano Dario Fo (Prêmio Nobel) e Franca Rame, que voltou em cartaz  no Teatro Bibi Ferreira, dia 31 de julho, sexta-feira, com o patrocínio da Pirelli por meio da lei estadual 12.268 de 20/02/2006, do Proac – Programa de Ação Cultural. Com interpretação da atriz Débora Duboc, profissional de sólida carreira no teatro e no cinema, e direção de Neyde Veneziano, especialista no teatro dos dois autores italianos e com pesquisa no cômico e no popular, a montagem de 60 minutos entretém o público com humor cortante e temas que afligem o mundo contemporâneo, como os conflitos das mulheres independentes e modernas. ”Essa volta é muito esperada, pois foi uma delícia fazer temporada com casa lotada”, explica Débora. “Não é todo dia que temos a felicidade de ter um espetáculo que agrada a todos. A peça foi celebrada por público e critica, e isso é fruto dessa dramaturgia especial desses autores”, completa.

O cenário é um apartamento, com sistema multimídia e “wireless”, equipamentos controlados por computadores quase humanos, onde vive Júlia, a bem-sucedida produtora, estressada pelo fracasso afetivo, que decide se suicidar. Ao invés de deixar uma carta, decide produzir um DVD com o intuito de culpar o ex-marido. Mas tudo fica mais difícil quando começa a receber ligações de mulheres desesperadas por conselhos, tudo porque seu telefone foi publicado por engano na revista Saúde Mental, como sendo o fone de uma terapeuta que trouxe uma técnica revolucionário do oriente.

Na montagem, Débora Duboc contracena com o cenário-personagem, que conta com a alta tecnologia dessa casa multimídia, um loft, espécie de estúdio onde tudo se mexe e interfere. Ao bater palmas, a luz se acende; a outro simples comando de voz, a tv é ligada automaticamente. A tv, o telão e o telefone não são apenas elementos de decoração, mas personagens que agem e interagem com a personagem.

O cineasta Toni Venturi assina a direção audiovisual, que conta com a participação virtual de Claudia Mello, Grace Gianloukas, Eliana Rocha, Elias Andreato, Leonardo Medeiros, Marcelo Médici, Marco Luque, Marcio Seixas e Viviane Pasmanter. Thiago Adorno e Fernando Fecchio estão em cena fazendo uma dupla de assaltantes, uma homenagem que Fo faz aos palhaços de picadeiro. “Estou muito feliz de juntar essa equipe talentosa. Pessoas com quem adoraria fazer qualquer projeto e tive o privilégio de e me encontrar no palco mesmo que virtualmente, e ser dirigida por Neyde Veneziano, que foi generosa em me oferecer todo o seu conhecimento. O processo de criação foi diferente, é uma loucura. Tenho que ser extremamente rigorosa e ao mesmo tempo me lançar ao momento, e a comédia precisa disso,” afirma Débora.

A tragédia vem revestida de ironia com situações hilárias e surreais. Para o italiano Dario Fo, o cômico tem sempre por trás uma situação trágica. E é rindo dessa tragédia que podemos criticar as injustiças. Para Débora Duboc,a solidão da mulher vai além do riso fácil e debochado, porque o autor a tornou absolutamente humana e verdadeira. “A Júlia representa bem a mulher do mundo de hoje, é extremamente contemporânea, contudo consegue não ser caricata, isso graças ao texto. O Dario consegue trazer humanidade para essa mulher.”

O encontro com Dario Fo e Franca Rame

A diretora Neyde Veneziano encontrou o italiano Dario Fo e sua mulher Franca Rame, atriz e ex-senadora da República Italiana. Durante projeto de pesquisa que realizou em Milão nos anos de 2000 e 2001, fazendo seu pós-doutorado (com bolsa Fapesp). De volta ao Brasil, defendeu na USP tese de Livre Docência sobre o mesmo tema e publicou o único livro em língua portuguesa sobre Dario Fo, A Cena de Dario Fo: o exercício da imaginação (Conex, 2002).  

Segundo Neyde, “foi colhendo procedimentos na antiga tradição popular, vasculhando os baús dos teatros mambembes da família Rame e estudando os jograis de medievo italiano que Dario Fo inaugurou a cena moderna. Para isso, até hoje vive intensamente a atualidade, com seus problemas sociais, suas tragédias cotidianas e com todo o aparato tecnológico também”.

”Dario desenha o cenário e ali coloca os temas, as ações, os personagens. Mesmo quando não há um cenário concreto e aparente, ele o cria na imaginação da platéia, fazendo-a enxergar pedras, catedrais, árvores caídas, densas florestas, guerras sangrentas. Sua onomatopéia transforma os sons em objetos visíveis. Seus gestos descrevem ações que vão do cotidiano ao mais nobre ato heróico”, acrescenta a diretora.

Ao dividir com a mulher, a atriz Franca Rame, a autoria do texto, Dario não está lhe prestando uma homenagem. Ele arquiteta, ela desenvolve novas situações e acrescenta milhares de sutilezas que deixam o texto espetacularmente humano.

Em Um Dia (Quase) Igual aos Outros, Débora Duboc completa as exigências desta dramaturgia, pois Franca Rame recomendou a Neyde que encontrasse a atriz ideal, uma atriz capaz de passar, sem exageros, a técnica que estaria por trás desta cena “aparentemente” tão real. A diretora conta que, apesar do aparato tecnológico, o texto privilegia o trabalho da atriz. “Essa é uma regra de Dario Fo. Vi como ele trabalha e uso muito a metodologia dele para tirar o riso, o tempo certo da comédia”, explica. Para Veneziano, o texto é universal, por isso cria logo uma empatia com o público. “A Júlia é uma mulher solitária numa casa cheia de tecnologia, e a solidão é um problema universal. O texto é calcado nos truques do velho teatro, mas o formato é muito moderno, por isso dialoga com a nossa platéia.”



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O ESTADO DE SÃO PAULO

Vai-se divertir. Nesse "dia quase igual", tudo conspira para a quase vítima ser ridicularizada pelo seu despautério. Chegam telefonemas carregados de cotidiano externo normal e imprevistos esdrúxulos para que ela se sinta risível em seus pequenos problemas. A que, afinal leva tudo isso? À banalidade de uma vida sem projeto existencial. A peça é, por esse viés, sutilmente filosófica, freudiana e politicamente anárquica. Típica provocação ideológica de autores que fazem a reinvenção da comédia popular italiana (a commédia dell´arte). (...) O resultado é uma "comédia para se pensar", absolutamente maluca, que confirma o sábio humorista Barão de Itararé (1895-1971): "O mundo está ficando louco, e eu também." (...) Não é todo dia que se tem humor sustentado na inteligência. Satirizar fraquezas humanas é uma forma de ajudar os que se atrapalham na vida. Pode-se interpretar esse gesto como solidariedade.
Jefferson Del Rios – Caderno 2


FOLHA DE SÃO PAULO

“Os segredos da comédia são os mais cobiçados, porque transcendem técnicas e truques e não são transmissíveis. O espetáculo “Um Dia QUASE Igual aos Outros” cumpre a nobre missão de divertir o espectador e o faz com esmero e correção (...) A direção de Neyde Venziano, uma especialista no teatro de Fo e Rame, é minuciosa e contou com a participação de atores e atrizes de primeira linha, além de colaboração técnica primorosa para engendrar os suportes audiovisuais.(...) Débora Duboc lança-se ao desafio da encenadora com destemor. Como desempenho, sua Júlia é um marco de amadurecimento na carreira, já que sustenta o tônus da comédia praticamente sozinha.”
Luiz Fernando Ramos – Ilustrada


VEJA

Cômico Desespero
"Temática constante, os conflitos femininos voltam à cena na forma de comédia em Um Dia (Quase) Igual aos Outros, dos italianos Dario Fo e Franca Rame. Estressada diante do fracasso afetivo, a publicitária Júlia (Débora Duboc) decide se suicidar e gravar um DVD confessional para o ex-marido. A divertida trama cresce à medida que a atriz e os espectadores se deixam levar pelo absurdo. Situações cada vez mais surreais tomam o palco, como a hilária invasão dos assaltantes interpretados por Thiago Adorno e Fernando Fecchio (...)."
Dirceu Alves Jr. - Vejinha SP


SITE APLAUSO BRASIL

“Débora Duboc – atriz magistral com sólida carreira no teatro paulistano – é quem interpreta a publicitária. E ela se deleita em compor uma personagem que é um presente para uma atriz. A solidão do monólogo é quebrada com a parafernália eletrônica, na casa da personagem onde podemos ver ou ouvir Grace Gianoukas, Marco Luque, Marcelo Médici, Leonardo Medeiros, Viviane Pasmanter, Eliana Rocha, Elias Andreatto e Cláudia Melo. Todos com excelentes participações, assim como os atores Thiago Adorno e Fernando Fecchio que aparecem em cena no papel de dois hilariantes assaltantes. Há de se destacar, também, o papel de Toni Venturi, responsável pela parte audiovisual, algo que assume uma forma totalmente orgânica no espetáculo. E Neyde Veneziano orquestra com rigor esta sinfonia cênica. Todos os elementos cênicos de Um dia (quase) igual aos outros são minuciosamente dirigidos por Neyde. Tudo isso para que nós, espectadores, quando termina o espetáculo, exclamemos como a personagem de Grace Gianoukas: Uau!”
Luís Francisco Wasilewski


O ESTADO DE SÃO PAULO 

Retrato da mulher atual: bem-sucedida e faminta.
Bete Néspoli – Caderno 2


FOLHA DE SÃO PAULO

“A publicitária Júlia entrega a razão do suicídio: perdeu o eixo, não se adapta ao “bando de oportunistas, hipócritas, aproveitadores...camelôs que vendem dignidade, bundas e peitos de silicone”. (...) Ao que Rame, 80, faz coro: “A vida é absurda. Guerras, violência, Bush, Berlusconi são todos improváveis vistos pelas lentes da razão. Dario e eu só aumentamos o grotesco e a loucura, pois assim é nosso teatro”
Lucas Neves – Ilustrada


GAZETA MERCANTIL

"Seus personagens podem ser indianos, marroquinos, brasileiros, norte-americanos, chineses e até italianos. Não importa, Dario é compreendido em qualquer parte do mundo. Como Shakespeare. Mas com uma diferença. Porque Dario faz teatro moderno e popular assumidamente, calcado na linguagem corpórea, conversando com seu público sem pudores, rompendo o ilusionismo. (...) Dario é o bufão transgressor, irônico, o maior palhaço do mundo.”
Neyde Veneziano


APLAUSO BRASIL 

A ótima direção de Neyde Veneziano obedece às rubricas dos autores, cujo interesse, percebe-se, é fazer um teatro em dia com as novas tecnologias, tratando um tema antiqüíssimo, embora atual, sobre as relações humanas.(...) Para tanto contou com a colaboração do cineasta Toni Venturi e de Duda Arruk. Ambos apresentando um trabalho nota 10. O mesmo pode ser dito da iluminação de David de Brito e Vânia Nunes. A personagem central é interpretada com o brilho de sempre por Débora Duboc. Presentes no palco estão Fernando Fecchio e Thiago Adorno que estão bem em seus papéis (...). Há quem se divirta, há quem se emocione e há quem passe por ambas as sensações.
Maria Lucia Candeias


REVISTA BRAVO

Por que ir: A peça, que faz sucesso entre os europeus há quase 20 anos, ganha primeira montagem no Brasil. A direção é de Neyde Veneziano, pesquisadora especialista na obra do dramturgo italiano. Preste atenção: Em como a peça reúne o que há de melhor na obra do dramaturgo vencedor do Prêmio Nobel: seu humor cortante e a discussão sobre o homem contemporâneo.